CINEMA E VÍDEO

Em cinema participei de diversos filmes curtas metragens (cinema digital amador) atuando em variadas funções: de ator a roteirista/diretor. Em 2009 tive minha maior experiência (em tamanho) em cinema: a produção do filme documentário “Sem Fronteiras”, filme de 52 minutos, dirigido por Elson Faxina e Nelson Bucker Jr, para governo do Estado do Paraná. Como diretor e roteirista fiz o documentário “Zacas Campeoanto” e o filme “E assim morremos nós” rodado em película super 8.

Filmografia:

2014 – (direção) (03’03”) –GRAFONETA GRAFONOLA, filme publicitário para a loja Caçadores de Relíquias Curityba.

2010 – (edição e produção) (52’) – “SEM FRONTEIRAS”, filme documentário  dirigido por Elson Faxina / Nelson Bucker Jr.

2009 – (roteiro e direção)  (3’ 00″) – “E ASSIM MORREMOS NÓS”, filme curta-metragem feito em película Super 8. Filme que participou (no mesmo ano) da mostra do Curta 8 | Festival Internacional de Cinema Super 8, em Curitiba.

2008 – (edição) (07’53”) – A REINTEGRAÇÃO DE POSSE, doc. de Leandro Hammerschmidt / Andre Luis Domingues

2008 – (direção e edição) (05’35”) –BOCA DO PALHAÇO – A CRISE DOS ALIMENTOS,  videorreportagem de Leandro Hammerschmidt / Franco Fuchs

2008 – (edição) (06’16”) – POR DENTRO DA CABINE ERÓTICA,  videorreportagem de Leandro Hammerschmidt / Rodrigo Choinski.

2007 – (direção e edição) (09’58”) – ZACA’S CAMPEONATO, documentário  de Leandro Hammerschmidt / Olga Leiria. Doc. selecionado para o IV PUTZ Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba em maio de 2007, em Curitiba.

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BLOGUES: FATO AGENDA E JORNAL TIRAGOSTO

banner fato agenda
Sou editor do FATO Agenda: site que foi criado em 2009 e hoje é referência na busca por vagas e oportunidades em comunicação, marketing e design na região de Curitiba. Em maio de 2017, o site soma mais de 8 mil posts e mais de 1 milhão e 120 mil visualizações de página.

banner JTG
O Jornal TiraGosto foi meu trabalho de conclusão de curso de jornalismo (2008). Depois de apresentá-lo, juntei bons amigos e ficamos quase três anos inventando pautas esquisitas pra cumprir. Algumas reportagens do JTG conseguiram bastante sucesso de público, a videorreportagem “Por dentro da Cabine Erótica” teve mais de cem mil visualizações e sua exibição foi vendida para o Fiz TV. A primeira a fazer sucesso foi “É a vez das magrelas” que na primeira semana do blogue foi publicada no portal UOL. Além destas, publicamos muitas reportagens, entrevistas (veja esta com Zé do Caixão) resenhas, quadrinhos e literatura.  Durante três anos o Jornal TiraGosto foi importante para a gente experimentar.

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REPORTAGEM: É A VEZ DAS MAGRELAS

Esta videorreportagem foi publicada em 2008. Na época, Curitiba aumentava sua frota em 500 carros por dia, a ideia era apresentar alguma solução. O vídeo foi nosso primeiro sucesso de público no Jornal TiraGosto, em nossa primeira semana de blogue,  ela foi publicada no portal UOL.


Ficha técnica:

Reportagem: André Jacob, LH, Peter Mullin, Serli Oliveira
Texto e edição: Leandro Hammesrchmidt
Publicada em 2008 no Jornal Tiragosto.

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REPORTAGEM: REINTEGRAÇÃO DE POSSE

Dia 23 de outubro de 2008 a polícia militar do Paraná foi cumprir uma ordem de reintegração de posse num terreno da Rua João Dembinski, no bairro Fazendinha. A ocupação do terreno foi feita no último feriado de sete de setembro, durou 45 dias, juntou mais de mil famílias e parecia “um zoológico aos domingos”.

Mesmo sem saber que o Secretário de Segurança do Estado, Luis Fernando Delazari, costuma convidar a imprensa pra acompanhar reintegrações de posse, a equipe do Jornal TiraGosto foi lá e conversou com algumas pessoas durante a operação.

Chegamos lá pelas nove da manhã, por trás da ocupação, um pouco antes de um grupo da RONE – a polícia ostensiva, grupo que deu uns tiros de borracha pro ar e logo saiu. Depois da saída da RONE um policial militar bigodudo tranqüilizou o pessoal falando assim: “oh, pode ir lá retirar as coisas agora”. Descobri que a partir daquele momento os ocupantes do terreno tinham até às 14 horas pra arrumar sua mudança e sair do lugar.

O pessoal ainda não sabia que algumas dezenas de caminhões tinham sido contratados pelo dono do terreno para levar os colchões, madeiras, tv´s, pias e máquinas de lavar daquele povo. Mas esta informação não ficou clara, pelo menos para os moradores da região onde estávamos (na parte de trás da ocupação). Talvez esta incerteza, misturada à raiva e orgulho, tenha feito a maioria das pessoas juntarem suas tralhas e meterem fogo nos barracos. Alguns policiais militares mais prestativos tomavam também a iniciativa e metiam fogo ajudando a desocupar mais rápido a área. Alias, nunca tinha visto tanta polícia reunida na minha vida antes, quase mil policiais.

Servir e proteger – Sebastião da Veiga, um pai de família, e seu filho de 17 anos levaram umas cacetadas de um grupo de PM’s porque falaram pra eles “não queimarem a casa da senhora” que ali não estava. Mas a polícia não gosta de conversar em serviço e bateu em Sebastião, no seu filho (que entrou no meio) e ainda tentou agredir sua mulher. Além do braço enrolando na toalha verde, o orgulho de Sebastião também ficou ferido. “Nem do meu pai eu apanhei quando era criança pra chegar um filha da puta me bater”. Quando vi seu braço machucado e também machucada as costas do seu menino pensei “que merda tudo isto! No fundo os policiais são iguais a gente e nem se dão conta quando vestem a farda”

Pra você faz sentido passar por cima das pessoas por causa de terra? Pra mim não. Ainda mais se tratando de terras de um grupo que (não sei se ainda) tem a maior fazenda do mundo. Mas não posso culpar o grupo CR Almeida pelo sistema que permite acumular muitas terras e propriedades e riquezas em poucas mãos. E nem culpo os policias militares por estarem cumprindo uma obrigação.

O resultado da reintegração de posse teve uma repercussão negativa na imprensa, principalmente para a polícia militar do Paraná: dois comandantes foram afastados dos seus cargos pelo secretário Delazari e isto gerou revolta nos policiais. Afinal eles estavam cumprindo ordens. E “a Lei é montada é de maneira que garanta a ordem. Não tem a ver com justiça, nem nada. E, se for necessário usar violência pra manter a ordem: azar de quem acorda fora da lei”. Então paciência.

Fora pequenas coisas como “pequenas” agressões. Não vi a polícia cometendo tantos abusos de poder nesta reintegração – tomando como parâmetro histórias sobre ditaduras e outras polícias. Na verdade, acho que a polícia é um retrato da sua sociedade. “dê poder ao homem que ele se revela”. E aqui foi triste perceber que da Carta de declaração dos direitos humanos o artigo 17 “o direito a propriedade” continua sendo o mais respeitado.

Ver a polícia marchando pra cima de mulheres e crianças é uma tristeza. Os valores morais da gente são destruídos quando um homem vira máquina incapaz de conversar. A parte social nem se fala quando se opõe a interesses econômicos e políticos. É a tal ética política, administrativa. Mas vou te contar: é triste ver um homem deixar de ser cavalheiro e partir pra cima de mulheres. Um homem deixar de ser pai ao descuidar do filho dos outros.

Repito: não saiu tanta gente ferida desta operação, até onde sei nenhuma morte confirmada, a violência física não foi o maior problema. O terrível pra mim foi constatar que o Estado (a estrutura voando a 0,5 cm da terra) é contra o povo. Então, compreendo a revolta dos policiais militares que levaram a culpa na história – por causa da represália da imprensa e do próprio Secretario Delazari que afastou os comandantes da operação.

Todo mundo chutou a polícia, mas ninguém contestou o lugar sagrado da propriedade privada. Assim, a parte operacional foi super valorizado, pra apagar a questão econômica, social e política que fez tudo mudar rapidamente. É só lembrar que há poucas semanas o voto de cada uma daquelas pessoas valia a mesma coisa, e foram assediados. Agora na reintegração de posse eles deveriam ser arrancados do terreno a todo custo, sem nenhum valor.

A REINTEGRAÇÃO DE POSSE II – DÚVIDA CRUEL


Acho que dá pra fazer uma pergunta, pelo menos, uma reflexão: por que não tiraram o pessoal antes das eleições?

1)Porque o voto do pobre vale a mesma a coisa. Vale um – igual a gol feio. O povo é a maioria. Mas é sempre levado na palma da mão – se engana e é enganado. Às vezes dá uns golpes de malandro pra comer.

Às vezes manipula, quase sempre é manipulado. Massa de manobra. Sem cara, o povo são os outros. Penso feio, desdentado. Mas vota sem muito querer. Eu também. Porque é uma obrigação fundamental pra continuar este jogo.

Orientação política – Perguntei sobre a orientação política e a moradora Patrícia Patrício me contou que “passavam ali pedindo pra votar no Beto Richa” Quem pedia? Os próprios moradores. Hum. Outro Morador Edson Luiz da Conceição arriscou dizer que ali foram “três mil votos pro Beto”. Em contrapartida, um dos caminhoneiros me disse que quando “estourou” um barraco saiu voando um monte de santinhos da Gleisi Hofman, candidata do PT a prefeitura de Curitiba.

Nosso cinegrafista André Domingues, que inclusive é militante do PT, esteve na ocupação antes das eleições e me garantiu que não ficava claro pra quem era o apoio político das pessoas da ocupação. “Não tinha bandeira, nada”. Alias pra ele o negócio estava “estranho” até porque não tinha vamos dizer assim “uma liderança, uma organização”. Nenhum Juvenal Antena que fosse.

Descobrimos que lá tinha uma ONG, a União da Moradia Popular, cadastrando as pessoas. E também ouvi sobre três advogados, não sei se agiam juntos, que pediram documentos e 100 reais por família pra tentar regularizar a situação. Ouvi também que a turma, no fervo de quinta-feira, saiu correndo pra pegar um advogado. Mas não pude confirmar.

Não dá pra simplesmente dizer que este pessoal é massa de manobra e/ou que só tinha gente rica ali. Tinha gente rica ali. Tinha traficante. Tinha gente que não precisava. Alias muito terreno foi vendido. Mas é verdade também que muitos não tinham onde morar. Eis a questão: estavam ali ocupando aquela terra.

NOSSAS DIFICULDADES
A cada dia que passa fica mais difícil o trabalho do jornalista. Todo mundo sabe de tudo! É muito fácil a gente bancar o idiota. Mesmo porque você escuta cada coisa, inclusive nomes soltos pra te manipular. É informação de todo lado, por exemplo, se fôssemos na conversa do povo “morreu um bebê pisoteado, um cara fuzilado e jogado no riozinho, um bêbado queimado” e por aí vai. A mulher da SAMU confirmou o atendimento a quatro pessoas. Um policial mais calmo me disse que tudo correu bem.

HISTÓRIA E CONSTRUÇÃO DO DESTINO
Nos fundos da ocupação vimos alicerces de uma construção da época de 1998. Descobri que naquele pedaço estava morando (por mais uma vez) a família Patrício. Mais uma vez por quê?! Segundo Patrícia Patrício e alguns irmãos presentes ali, o avô deles, Antonio Patrício do Santos, morou por quarenta anos naquele mesmo pedaçinho de terra. Até que em 1998 foi retirado por jagunços, teve sua casa queimada e teve de abandonar o terreno – um pedaçinho lá nos fundos da ocupação. Dois anos depois o velho Antônio morreu de desgosto.

A família Patrício garante que nada será feito no terreno desocupado porque ele está todo enrolado, impostos e mais. Outros ocupantes acham que daqui um ano ali será um condomínio de luxo – e que eles só foram deixados até aquele momento pra limpar e desmatar o terreno: poupando algumas multas e preocupações pra imobiliária.

Ah, um cara, que não quis se identificar, me mandou (com toda sinceridade) perguntar se eles vão ser “ressarcidos pelo trabalho de limpar o terreno e cortar árvores?”. Disse pra ele que “não, nem a pau Juvenal” e pra ele tomar cuidado porque um cara lá na rua até falou assim pro nosso cinegrafista, André Domingues, (que filmava a mão de uma menina que o cachorro mordeu); “você fica filmando as pessoas né!? vai filmar as árvores que elas derrubaram!”.

Está certo que Curitiba já foi capital ecológica. Mas o cidadão que mandou o André filmar as árvores não deve saber que Curitiba agora é a “Capital Social”.

OUTRAS HISTÓRIAS

Já no começo, ainda no asfalto, ouvi um negro alto falando da história de uma bêbado folgado que passava bem perto do pelotão da RONE, que vinha com cachorro e tudo, quando levou uma mordida na bunda e acabou pendurado na boca do cachorro. Foi exagerado. O mesmo cara mostrava um vergão nas costas que, segundo ele, eram estilhaços de bomba ou de bala, sei lá.



Depois conheci o cara do cachorro. Descobri que ele perdeu “uma geladeira e três quilos de pinga”. Os amigos ainda o recriminavam por ter matado o cachorro com a mordida. Como dizem seria cômico, se não fosse trágico.

Quem quiser conhecer esta e outras figuras é só ir lá na rua Rua João Dembinski s/nº.

pub. dia 27/10/2008 no Jornal TiraGosto por Leandro Hammerschmidt e equipe: Bianca H., Rodrigo Choinski e André Luiz Domingues.

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PROGRAMA “BOCA DO PALHAÇO”

Junto com o jornalista Franco Fuchs  produzi e editei o programa “Boca do Palhaço” sobre a crise na produção de alimentos em 2008, confira o texto original aqui e a reportagem aqui em baixo:

Ficha Técnica:
Apresentação: Amarildo Ricardo
Texto e edição: Leandro Hammerschmidt e Franco Caldas Fuchs
Publicada em 2008 no Jornal Tiragosto.

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Confira também a vinheta de abertura do programa “Boca do Palhaço”


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UM DIA DE GARÇOM

Amigo leitor, antes de tudo, preciso dizer que sei o quão sou feio. Sei que não é bonito ser feio, mas dou o tiro com a arma que tenho. Falo isso, sabendo que a “falsa modéstia é o último requinte da vaidade”. E, como sou avesso do avesso de ser vaidoso, vou lhes contar sórdidos detalhes do meu dia de garçom e, por conta disso, também dia de Fábio Junior 

 
 

pub. dia 24/12/2008 no Jornal TiraGosto por Leandro Hammerschmidt

Há duas semanas re$olvi trabalhar de garçom. Quem arrumou o bico foi minha namorada Erika. 90 pilas por noite. Pensei: moleza. Achei que ia só levar umas bebidas pros convidados. Ganhar umas gorjetas. Beber de graça. E pra isso acontecer, só precisava chegar ao lugar (naquele dia Jockey Club) com cabelo arrumado, terno, camisa branca, gravatinha e sapato; tudo isso pra pegar a tal “regra”, ou seja, alguma vaga que sobra quando falta garçom.

Se o amigo leitor se interessa pelo trabalho, adianto que é preciso ter contatos, telefones, pelo menos. Geralmente nas segundas-feiras o maître (o chefe dos garçons) monta a escala de quem vai trabalhar durante a semana. Também é preciso ter um alvará da prefeitura pra trabalhar de garçom, mas isso é bem fácil de tirar numa Rua da Cidadania.

Cheguei ao Jockey por volta das 15 horas de sexta-feira, mais perdido que cego em tiroteiro, cachorro em mudança e mais por fora que teta de véia. Perguntei pelo tal Cândido – pastor e dono do buffet. Me deixaram entrar, dois maitres (um e uma) me receberam e me deram a vaga. A primeira coisa que ele me perguntou era se eu trabalhava como garçom. Como não sei mentir, disse “mais ou menos”. Daí ela me perguntou se sabia servir com bandejas. Disse um firme: sim!

Aquele dia seriam duas festas e eles não podiam escolher muito. Cada maitre tem uns 1000 problemas e cada um com os seus: um me puxava pra baixo e o outro me puxava pra cima. Fiquei na festa do andar de baixo, com a maitre Juceli. Gente-fina. 

 

Pra começar o dia de garçom carreguei umas dez mesas. Mas nisso tenho prática, meu pai é caminhoneiro e volta e meia trabalho de “chapa” descarregando mudanças ou batendo carga. O problema é que neste caso a gente precisava pegar as mesas (mais de 20) e subir dois andares com elas nas costas. Depois de colocadas no lugar e arrumadas, começamos a polir umas (400) taças; depois ajudei a ajeitar os talheres (aqui a Juceli me olhou e perguntou mais uma vez se eu realmente trabalhava como garçom; mas daí já era bem tarde).

Depois disso me assumi e comecei a pedir dicas pra todo mundo e passei a aprender coisas com dois garçons experientes: “pra servir a gente vai pela direita e pra retirar é pela esquerda do cliente”, “os  garfos a gente alinha com as facas da cadeira oposta”. Hã? Ah! entendi. “a bandeja, segure com a palma da mão”. “Tenha sempre abridor, caneta e isqueiro no bolso”. “E nunca, mas nunca mesmo chame um bêbado de bêbado: concorde com ele!”. Na verdade, esta última dica é do Gera, o dono do bar que freqüento às segundas.

A festa de baixo começava às 22 horas; a de cima às 20 horas. Antes disso ainda deu tempo pra lanchar pão com manteiga e coca. Depois fui me arrumar. Quase nunca uso terno, meu pai não usa, não sou estudante de Direito, não trabalho em empresa grande e nem sou crente. Então não tenho muitos motivos pra usar terno, mas naquele dia até gostei de usar.

Começou a festa: correria, Leandro prá lá; Leandro pra cá. Água, whisky, red bull, isqueiro, “ quero isto, quero aquilo, assim, assado, cozido”. Olha, pra trabalhar de garçom é preciso ter muita atenção e boa memória pra lembrar os pedidos. Mas tem um lado bom neste lance de servir: a gente se sente bem fazendo a alegria dos outros. Por isso também caprichava nas doses de whisky. Tanto que toda vez que um japonês (detalhe, o noivo era descendente de japoneses e a festa estava cheia de deliciosas mestiças) me encontrava no salão ele me abraçava e me chamava de Leandro e/ou de atleticano. E graças as minhas doses generosas (“sem miséria” como dizem) em pouco tempo o japa era o cara mais feliz da festa e eu o queridinho daquela “praça”.

Fiquei com três mesas, este conjunto de mesas é o que os garçons chamam de “praça”. Na minha havia um “apoiador” ou “amparo” – um móvel no salão que a gente coloca jarras, garrafas, balde de gelo, pra não precisar ficar indo  todo minuto pro bar – bar que no Jockey ficava lá nos fundos, bem próximo ao local onde ficam os donos do Buffet. Seu Cândido, o chefão, não estava no ambiente, mas deixou gente pra fiscalizar. Ainda assim deu pra beber um pouquinho. Mas posso dizer de boca cheia: trabalhei direitinho das 14 horas até o final da festa – lá por volta das 4h30 da matina.  Acontece que tudo ia bem, até que me acontece um sinistro:

 

Assim como me tornei o queridinho do japa, que acabou a festa todo vomitado, também me tornei o preferido entre as mulheres. Sério, elas começaram a se aproximar, a sorrir, a conversar pertinho. Se uma mulher se sente à vontade para sorrir contigo, tudo mais vem fácil (aprenda esta lição!). Mas nunca esqueci que tenho mulher, que a amo, e que naquela noite estava ali só pra servir.

E não existe coisa mais chata que um garçom em cima do cliente. Juro que não fiz isto. Acontece que à medida que trazia os vinhos, espumantes, mais gente eu “abria”. Fui super atencioso e profissional, servindo a todos e fazendo amigos (à luz da orgia, é claro). Acontece que aos poucos a relação com algumas pessoas (pasmem, foi mais de uma) foi ficando, digamos assim, periglosa. Percebi olhares, sorrisos, gracinhas.

Enquanto isto eu só trabalhando. E aqui está o charme! Vou te contar uma coisa sobre as mulheres: penso que elas não gostam de homem desocupado, sem rumo. Além de atração pelo o que é proibido. Então, creio que se estivesse de bobeira naquele lugar dificilmente despertaria atenção delas. E podem espernear, mas elas todas são iguais. Pois o que serve pra uma, serve pra todas.

Metade do trabalho já estava feito. Até ali tudo estava bem, já tinha até ganho a confiança dos fregueses e colegas, até que aceitei tirar uma foto com uma moça.

Não ria agora amigo leitor, tenho espelho em casa, mas depois da primeira foto começou a juntar mulheres querendo tirar foto comigo. Oh delícia! Até que uma mais assanhada pegou minha mão e me fez enlaçar sua cintura, se soltando em meus braços e me obrigando a segurá-la. Soltei minha espada. Nisso outra, que trabalhava de garçonete nos EUA, pegou minha bandeja e começou a juntar copos pra me mostrar nossas afinidades. Lembrei das sábias palavras de um colega “nunca deixe ninguém tocar na sua bandeja, pois a bandeja do garçom é a espada do samurai”. Não deu outra, a maitre viu a menina nos meus braços, a bandeja na mão de outra e quis me arrancar dali. Literalmente, me pegou pelo braço e fez um cabo de guerra com as moças.

Mesmo visivelmente gostando, sabia que aquilo não ia acabar bem pro meu lado. A resposta da maitre foi imediata: tirou-me da função e pôs pra carregar pratos da cozinha pro estoque. Da cozinha pro estoque. Da cozinha pro estoque. 300. Segundo a Juceli, aquele assédio tava causando falatório e até poderia “despertar a ira de algum marido”. Nesta hora pensei, poxa que culpa tenho de ter nascido assim?

 

Nem preciso dizer que, no fundo, gostei da história. Senão não contava aqui e nem tirava estas fotos – tudo com ajuda da minha mulher, é claro – num esforço pra registrar meu dia de garçom e de “galã”, pois vai saber se acontece novamente.

Acontece que depois daquela festa (minha primeira como garçom) nunca mais fui chamado pra trabalhar no Jockey. Arrumei outras “regras” em outros buffets, com outros maitres, mas nunca mais no jokei. Ouvi relatos parecidos – de garçons exaltados – e por isso te contei minha história amigo leitor, especialmente pra você que precisa de algum dinheiro “fácil” e já começa a pensar na possibilidade de trabalhar como garçom. E, se este for seu caso, escute este conselho: aprenda a ouvir os mais antigos e sempre tome cuidado, mas muito cuidado com as mulheres.

Serviço:
Telefones de Buffets: Mansão Merano (41) 3372-1621, Capri Eventos (41) 3285-5500, Estação (41) 3239-3099, Clube Curitibano (41) 3014-1981, Graciosa (41) 3015-5005
Taxa: entre 90 e 100 pilas por dia de trabalho
Horário: das 14 h (ou 16 h) até acabar a festa

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BIO DEMENTIA VAMPIRIA

Um drink no inferno. E o garçom é meu amigo. Em cima do balcão uma ruiva branquinha dançando. Alerto um cara: “Olha bicho, cuidado que essa mina dá chute”. E ele me responde “eu sei” mostrando o beiço cortado

pub.dia 28/08/2009 no Jornal TiraGosto por Leandro Hammerschmidt

Confesso que aceitei desconfiado o convite do Carlos Zava pra ir ao Opera 1 curtir o festival Bio Dementia Vampiria – de música gótica. Primeiro, porque não sou muito fã deste estilo de música, de vida, de arquitetura, sei lá que diabo. Nada contra, nada mesmo, mas, na verdade, nunca soube ao certo o significado de ser “gótico”. Era uma criança quando assisti “De Corpo e Alma” e me lembro do gótico Reginaldo, interpretado por Eri Jonhson – mas calculo que aquilo seja mais um estereótipo de novela da Gloria Perez. Só que não desprezo estereótipos. Eles servem pra facilitar nossa “compreensão” das coisas. Além do que, como diz o Michael Jackson “a mentira vira verdade”, e nem é questão de repetir. A coisa é gostosa e vai se fazendo. Enfim.

Fui ao Bio Dementia cheio de velhas ideias e levei minha irmã Sabrina (como fotógrafa), e meu camarada Sandro Sal (pra beber mesmo). Na escada do Opera encontramos um monte de gente branca e maquiada. Fiquei enciumado com a receptividade das moças para com a minha irmã. Nada comigo.

Na programação do Bio Dementia Vampiria anunciava pirofagia, concurso de fantasia (melhor vampiro, melhor vítima) e boa música. E, realmente, a banda Nahtaivel é surpreendente: o cara de coringa toca um dark electro sinistro e o guitarrista é um negão fudido. O que deu a entender a principal atração do festival era a banda Encarmation, uma cover de The Sisters of Mercy e a terceira banda era Scarlet Leaves.



Sinceramente me lembro só da primeira porque estava sumido no show da segunda e fiz uma “saída de emergência” antes da última.

Dark Roon
Estou solteiro e dei um perdido na minha turma pra conferir o quarto escuro e, olha, fiquei satisfeito, muito satisfeito! Além de ter cerveja à preço razoável (pra balada), no Opera 1 dá mais mulher que homem. Uhul. E dei sorte aquele dia.

As coisas iam tão bem que já não me agüentava mais de esperar o momento em que as portas seriam trancadas e as moças virariam vampiras e o DJ anunciaria no microfone a nossa morte, ou pior, às portas trancadas e de repente o uivo horripilante do lobisomem americano em Curitiba. Qualquer coisa de cinema. Mas não, claro que não, né! No máximo o Zé Pilintra estava solto na balada. Mas ninguém virou lobisomem. Pelo menos, na minha frente. Talvez lá no Dark Roon. Oh, yeah, lá no Opera tem um quarto escuro cheio de vampiras lésbicas!

Ar fresco e ventos do passado
Saí pra tomar um ar no largo da ordem, pensando em voltar. No passeio encontrei um povo “gótico” ali nas escadarias – perto das ruínas da São Francisco – no lugar onde está enterrada a cabeça da cobra-verde que destrói o chão e os muros da cidade -, é lá mesmo onde a rapaziada joga peteca e toma vinho.

Subi as escadas, dei uma olhada e senti saudade da adolescência: quando gostava e frequentava muito o largo da ordem. Quando ia direto ao Bills Bar curtir um cover. Encontrava o Feijão, o Farofa, o Fedor, Gnomo, Kolb e toda a turma do Colégio Estadual do Paraná – bom tempo. Quem viveu sabe que no Bills todos os dias a gente podia ouvir Paranoid, dar uns gritos e conhecer gente esquisita. E foi nesse lugar que tive contato com algumas pessoas que reconheci como góticos.
Naquela época, adolescente, não “fui pras cabeças”, e pior, fui bem cusão até, ao recusar o convite da minha primeira mulher pra tomar um vinho com eles no cemitério municipal. E ler poesia, será?

Gosto de vinho, viro uma “borsa” quando tomo muito, mas não curto lenga lenga: rituais, poesia, grupos. Mas nem sabia que o negócio era quente. Senão até teria me infiltrado antes.

O que é ser gótico?
Existe um site que explica em poucas palavras o que é ser gótico. Como não tinha a referência e nem resposta para “o que é ser gótico?” Procurei resposta na fila da cerveja: perguntei a um cara, mais ou menos da minha idade, 26, se existe um grupo de góticos, uma seita, uma confraria, sei lá que diabos, aqui em Curitiba? E ele foi taxativo ao dizer que não! Garantiu-me que o que existe hoje é um estilo, um estilo de rock.

Como estava me dando bem com as originais e já sem força de vontade pra apurar as informações. Resolvi dar por encerrada minha pesquisa jornalística e passei a curtir a festa e fotografar as beldades que dançavam em cima do balcão. Fotografei ao melhor maior estilo “uau, domingo legal”, mas é claro que não vou publicá-las – vai saber a idade das vampiras.

A festa estava do caralho
E só acabou quando quis dar uma de Terry Richardson e fotografar o quarto escuro. Turma, na real, só bati um flash pra alumiar a festa, ser a lâmpada da orgia. Porra, sou da muka! Mas não colou, levei um esporro daqueles. E fiquei quieto, no máximo rindo, porque sei que fui moleque, mas… Deixe baixo. Como estava (tarde), sem alho, sem razão, cozido e ainda em minoria, achei melhor sair da festa batido e evitar derramamento de sangue tipo A+.

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Confira fotos do Bio Dementia Vampiria by Sabrina Hammerschmidt, aqui

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REPORTAGEM: UM CARNAVAL DIFERENTE

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pub. dia 27/02/2009  por Águia Galáctica ou Leandro Hammerschmidt

A vista é linda do alto de uma montanha em Balsa Nova, início do segundo planalto do meu Paraná. “Daqui dá pra ver bem a babilônia” garante Cachorro Rítmico – um dos rapazes de 20 e poucos anos que fugiu de Curitiba pra se dedicar a plantar, entoar músicas de paz e se abraçar em torno da fogueira. Isso tudo em pleno carnaval, Cachorro Rítmico e um monte de gente reunida no Encontro Consciência Planetária, em São Luiz do Purunã, pra aprender, trocar, reunir e aplicar tecnologias (antigas até), mas que são bem capazes de solucionar problemas ambientais como: a poluição da água, a má utilização dos recursos naturais e a destruição de florestas.no Encontro Consciência Planetária, em São Luiz do Purunã, pra aprender, trocar, reunir e aplicar tecnologias (antigas até), mas que são bem capazes de solucionar problemas ambientais como: a poluição da água, a má utilização dos recursos naturais e a destruição de florestas.

Continue lendo aqui
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REPORTAGEM: POR DENTRO DA CABINE ERÓTICA

Esta reportagem foi feita (em 2008) para o Jornal TiraGosto –  blogue de gonzo / trash jornalismo. A reportagem ajudaria a criar a estética trash do jornal. Nossa ideia era matar a curiosidade de quem nunca entrou numa cabine erótica e tinha essa curiosidade. Gravamos numa cabine do centro de Curitiba. A reportagem saiu divertida e teve ótima repercussão: mais de 100 mil acessos e depois ainda foi comprada e passou na TV (canal Fiz TV). 

Se você também tem essa curiosidade de saber o que tem dentro de uma cabine erótica, assista nossa reportagem! 

Ficha técnica:
Texto e narração: Leandro Hammerschmidt.
Imagens: Rodrigo Choinski.
Publicada em 2008 no Jornal Tiragosto.

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